Mostrando postagens com marcador MINISTÉRIO PASTORAL. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MINISTÉRIO PASTORAL. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de abril de 2013

Reconsiderando o "Ministério Pastoral" - Robson Alves



Palavras como: “profissionalismo”, títulos como: “Paipóstolo”, frases como: "A Igreja que fundei e abri e melhor do que a primeira de onde vim! A gloria será minha, a igreja é minha, eu sou o dono dela e ninguém me tira.", e outras atrocidades mais, que permeiam a Igreja Evangélica na pós-modernidade me fizeram considerar algumas questões sobre o ministério pastoral, como por exemplo:

Em primeiro lugar, acredito que, como ministros de Deus, devemos ter ATITUDE DE SERVOS, atendendo à recomendação apostólica: “SERVI uns aos outros”. Paulo em seu encontro com os presbíteros de Éfeso, disse: “Fiz o meu trabalho como SERVO do Senhor com toda humildade e com lágrimas” (At 20.19).

Humildade e sofrimento são marcas do Ministro que faz o seu trabalho seguindo as pisadas do nosso Senhor e Mestre como fez o apóstolo Paulo. Quando a cruz já projetava a sua sombra sobre a vida de Jesus, os discípulos discutiam entre si sobre qual deles era o maior. Jesus então corrige essa atitude imprópria com duas lições dramáticas: na primeira, ele colocou uma criança no meio dos discípulos, e enfatizou: “Se vocês não mudarem de vida e não se tornarem como crianças, nunca entrarão no Reino do céu” (Mt 18.2); na segunda, lavou os pés dos discípulos, dando-lhes exemplo de qual é a atitude correta à ser tomada nos relacionamentos (João 13. 1-17).


Como servos sofremos a exemplo de Paulo, com a dureza dos corações em relação ao evangelho, com a imaturidade dos crentes que gera todos os tipos de conflitos e dificuldades na Igreja e com a atuação dos falsos mestres que subvertem a causa do Reino de Deus, com nossos próprios erros, oriundos de nossa frágil humanidade.

Em segundo lugar, é preciso considerar que, devemos exercer o ministério na Igreja de acordo com a orientação bíblica: “Servi UNS AOS OUTROS”. Superamos a postura clericalista do servir UM aos outros quando reconhecemos que o Ministério da Palavra não é “O” Ministério, mas um dos ministérios, todos igualmente importantes, no Corpo de Cristo. Sujeitando-nos uns aos outros no temor de Cristo, edificamo-nos mutuamente através do livre exercício dos dons espirituais.

O Ministério da Palavra é importante quando exercido de acordo com a orientação de Ef. 4. 11-12. O Ministro da Palavra, exercendo o “Don” que lhe fora concedido, alcança o objetivo de equipar, treinar, aperfeiçoar todos os “santos” para que se edifiquem mutuamente e para que cumpram o Ministério da Igreja no mundo. O Ministro não monopoliza nem manipula, mas FACILITA o exercício do ministério de cada cristão. O ministério da Palavra é libertador.

Finalmente devemos considerar que: Exercemos o Ministério como mordomos da “multiforme graça de Deus”. Que privilégio e responsabilidade o de sermos administradores do rico tesouro da Graça! Lembremo-nos de que somos o que somos pela graça. Servindo na força que Deus supre, conseguiremos descansar em Deus mesmo no meio de conflitos e dificuldades, como Moisés que, apesar dos pesadíssimos encargos do seu ministério, chegou aos 120 anos de vida cheio de vigor. Ou como Calebe que, aos 80 anos, após a peregrinação pelo deserto e as guerras da conquista, sentia-se na mesma disposição de quando tinha 40 anos! Pela graça podemos conhecer não só a Palavra de Deus, mas o Deus da Palavra; não só o Salmo 23, por exemplo, mas o Pastor do Salmo 23, habilitando-nos para transmitir com fidelidade a Palavra de Deus e não as nossas opiniões e conceitos que, via de regra, são preconceitos.

Exercendo o Ministério de acordo com os princípios bíblicos, glorificamos em todas as coisas a Deus o Pai por meio de Jesus Cristo. Carecemos diariamente, minuto a minuto, da graça de Deus para que jamais sejam envergonhados e confundidos por nossa causa os que esperam em Deus, mas sim tenham em nós o exemplo e com isso sigam também glorificando e exaltando nosso Senhor !

Soli Deo Gloria!

Pr. Robson Alves

ÉTICA E ESPERANÇA NA IGREJA NO BRASIL



Ética e Esperança na Igreja no Brasil

Ariovaldo Ramos

" Vós não sabeis de que espírito sois. " disse Jesus em Lc 9.55, aos irmãos Tiago e João, que, quando perceberam que uma aldeia de Samaria se recusava a permitir a passagem de Jesus, perguntaram-lhe se gostaria que pedissem ao Pai que mandasse fogo do céu para destruir aquela vila. Jesus explicou que o filho do homem não veio para destruir o alma dos homens, mas para salvá-los. 

Jesus estava ensinando ética para os seus discípulos. O que eles sugeriram não combinava com caráter da obra, da pessoa e da natureza de Cristo. Ética é isso, a coerência entre meio e o fim. Sei que há muitas outras definições possíveis, mas, ficarei com esta, que aponta para a finalidade e a natureza como norte. O meio pode ser um pensamento, uma motivação, uma atitude, um ato, etc.. 

Tiago e João faltaram com a ética porque não entenderam quem eram, portanto, não sabiam como se portar. Porque quem não sabe quem é e para o que existe, não sabe o que pensar, que motivação deve ter ou aceitar, que atitude deve acalentar, que ação deve tomar. Jesus, ao contrário desses discípulos, sabia quem era, se chamou de o filho do homem, sabia que era o grande representante da humanidade, o modelo de gente e o único caminho para a nossa salvação. Jesus sabia, assim, exatamente, como deveria se portar em todos os sentidos.

Para falar sobre a relação entre a igreja e a ética, temos de entender o que é a igreja. A igreja é a comunhão dos seres humanos que receberam a mesma revelação que Pedro e que, portanto, adora a Jesus. A revelação que Pedro recebeu foi de que Cristo é o filho do Deus vivo, portanto, é Deus, e Deus a gente adora. Adorar a Cristo é proclamá-lo, ele, a encarnação da virtude de Deus e imitar Jesus de Nazaré. Porque o João disse que quem diz estar nele deve andar como ele andou, e Paulo disse, de si mesmo, que ele era um imitador de Cristo, e que nós deveríamos seguir seu exemplo, disse, também, que vivia para anunciá-lo. 

Assim, a igreja é a comunhão de pessoas que, individual e comunitariamente, no poder do Espírito, imitam e anunciam a Jesus de Nazaré, o Cristo, no seu dia-a-dia, em tudo o que fazem. O Cristo que a gente imita é o Cristo que habitou entre nós. Porque Paulo disse que a gente devia contemplar a glória do senhor e não o senhor da glória; e a glória do senhor é Jesus de Nazaré, o Cristo, fazendo da vontade e comunhão com Deus a sua comida e bebida, e andando por todos os lugares fazendo o bem para todas as pessoas. 

Também, temos de nos lembrar de que, quando João estava nas regiões celestes chorando porque não havia quem pudesse tomar o livro da mão daquele que estava sentado no trono, um ancião apontou para ele o leão da tribo de Judá, porém, tudo o que ele conseguiu ver foi o Cordeiro que foi morto. O céu pode falar do leão, porém, a gente só vê o Cordeiro, se temos de imitar alguém, só podemos fazer isso em relação a alguém que a gente pode observar, e a gente vê o Cordeiro, portanto, só dá para imitar o Cordeiro. 

A espiritualidade cristã não é a do leão mas, a do Cordeiro. Isso deveria influenciar a nossa liturgia, de modo que tanto as nossas músicas como os demais movimentos litúrgicos deveriam nos mostrar o Cordeiro, que foi morto e que ressuscitou ao terceiro dia, em sua devoção ao Pai e serviço aos homens. 

A igreja também é um homem coletivo, Paulo disse que Jesus Cristo criou, nele mesmo, um Novo Homem, esse novo homem é fruto da reconciliação entre judeus e gentios. Recordemos que, para a mentalidade judaica, o mundo estava dividido em dois grupos: judeus e gentios. O que os separava era a compreensão e o relacionamento com Deus, os judeus sabiam de tudo sobre Deus e com ele tinham comunhão, os gentios, por sua vez, não tinham nada, estavam sem Deus no mundo e, portanto, sem senso de finalidade e sem esperança. Jesus Cristo ao apresentar-se a ambos como a única possibilidade de realmente se ter acesso às promessas de Deus, colocou-os numa mesma base, acabou a briga, tanto um quanto o outro precisam de Cristo para ter Deus. 

A medida que judeus e gentios vão admitindo isso, e se rendendo a Jesus, passam a formar a nova humanidade, porém, com uma diferença significativa em relação a anterior, são habitação do mesmo Espírito e passam a se amar tanto que essa unidade, o homem coletivo, fruto desse Espírito, aparece. E a imagem e semelhança da Trindade é plenamente manifestada. 

Então, viver a Igreja é fomentar o surgimento dessa comunidade que manifesta essa unidade. Isso, também, deveria dar o tom de nossa liturgia; vocês já se deram conta de quantas músicas nós cantamos enfatizando a primeira pessoa do singular, eu, eu, eu... onde está o nós?, quando vamos aprender a nos ver a partir da comunidade? 
E tem mais, a igreja também está identificada com o Reino de Deus. Em Daniel o Reino é um domínio exercido por um povo que nunca o perderá; em Apocalipse é um povo de sacerdotes que reinará sobre a terra; em João Batista o Reino exige que as pessoas se arrependam, o que vai desembocar na prática da solidariedade; na fala de Jesus, que confirma João, o Reino é um sistema onde o poder é o serviço; é um lugar que só pode ser visto do lado de dentro, pois, tanto para ver como para entrar a pessoa tem de nascer de novo, logo, só vê se entrar, então, quem viu, viu do lado de dentro; e só pode participar dele quem rompeu com tudo para viver apenas por ele; é um lugar onde só a vontade de Deus é feita; é uma realidade a ser vivida e a ser aguardada, assim como, uma mensagem a ser anunciada prioritariamente aos pobres. 

Na fala de Paulo, o Reino é um estado de alegria, paz e justiça, onde o trabalhador é o primeiro a desfrutar de seu trabalho; onde quem colheu de mais não tem sobrando e quem colheu de menos não passa necessidade, e todos trabalham para acudir ao necessitado. 

A Igreja é o povo do Reino, que o vive e o sinaliza. Ser ético, então, para a Igreja, é ser coerente na história, em meio a sociedade, com a complexidade de sua natureza e finalidade. Em que músicas, leituras e orações, mesmo, nosso compromisso como povo do reino aparece? A ética começa na liturgia, na forma como nós apresentamos o nosso culto a Deus. 

A gente é ético no contexto onde a gente vive. O nosso contexto é o Brasil, país de contrastes perversos: uma das maiores economias e um dos piores índices de distribuição dessa riqueza; uma tecnologia desenvolvida ao lado dos piores índices de alfabetização e de aquisição de cultura; uma das arquiteturas mais reconhecidas e respeitadas ao lado de um dos maiores de índices de déficit habitacional e de submoradias; um dos maiores territórios do planeta, com terras das mais férteis ao lado dos piores índices de distribuição de terra; uma das mais eficazes agriculturas ao lado da fome e da subnutrição; uma medicina das mais desenvolvidas ao lado de índices estarrecedores de mortalidade infantil. 

Temos uma das legislações mais avançadas na área dos direitos humanos ao lado de graves índices de violência contra a mulher, abuso de crianças e adolescentes e prática de tortura; um dos códigos penais de maior senso humanitário ao lado de um dos sistemas carcerários mais aviltantes e degradados; uma das democracias raciais mais celebradas ao lado de um racismo pérfido, pois, sutil, não confessado e disfarçado de problema sócio-econômico, onde o negro, cantado em prosa e verso, não consegue ser cidadão e está condenado à pobreza e a ignorância. 

Temos uma das constituições mais avançadas ao lado dos piores e mais corruptos políticos encontrados numa nação classificada entre as modernas; um dos sistemas de votação mais avançados ao lado de um processo eleitoral marcado pela preponderância do poder econômico e por vícios que perpetuam no poder uma casta de caudilhos, sistema onde se tem a obrigação do voto mas não se tem o direito de veto, onde o eleito pelo povo transforma o mandato em patrimônio pessoal e fonte de riqueza; uma cultura marcada pela criatividade ao lado de um mercado cultural colonizado e emprobecedor; um dos povos que mais confessam a existência de Deus ao lado de uma vergonhosa manipulação religiosa e de arraigadas práticas de superstição, que o tornam prisioneiro de forças malignas.

O que significa agir de forma coerente à nossa natureza e finalidade num contexto desse? 

A face mais visível e, aparentemente, a que mais cresce da igreja brasileira ao invés de denunciar a injustiça social e propor e viver uma economia solidária, passou a pregar uma teologia que sustenta a desigualdade ao afirmar que a riqueza deveria ser o alvo do crente, e que o caminho é a fé atestada pelo nível de contribuição e pela capacidade de arbitrar, por decreto, sobre o que Deus deve fazer. 

Ao invés de denunciar a miséria e a dívida do estado para com os excluídos passou a denunciar a provável pequena fé dos desgraçados; ao invés de socorrer aos enfermos, enquanto denunciava o descaso, começou a apregoar uma cura instantânea para aqueles que, com um certo tipo de fé, freqüentarem o ministério certo. 

Ao invés de combater o racismo passou a estigmatizar como maligna tudo o que se relaciona com a cultura negra, como se o demônio fosse negro e, portanto, tudo o que é negro fosse demônio.

Ao invés de denunciar a corrupção passou a fazer negociatas com sórdidos representantes da camarilha que mantém o país no subdesenvolvimento, assim como, a participar, sem restrições, do jogo político, cassando o direito político de suas ovelhas, pelo constrangimento, para que votem nos candidatos escolhidos pelos líderes; líderes que ao invés de praticarem o serviço para que se forme uma comunidade, tornaram-se caudilhos que se locupletam às custas da boa fé, de gente que apenas queria Deus. 

Líderes e que se escondem em títulos pomposos enquanto transformam a igreja numa cultura de massas fácil de manobrar; ao invés de pregar a graça que foi de modo abundante derramada através de Cristo Jesus, passaram a demandar sacrifícios acompanhados de doações cada vez mais constrangidas, para que o fiel se tornasse apto para receber a bênção desejada. 

Líderes que ao invés de promoverem a mansa espiritualidade do cordeiro, promoveram a esquizofrênica espiritualidade do leão, que tenta transformar em “já” o “ainda não” do reino, enquanto transforma o “já” do reino em “nunca”; ao invés de viverem, sinalizarem e anunciarem o reino, passaram a caçar os principados e potestades nas regiões celestiais, ora localizando e derrubando os seus postes ídolos, ora ungindo de alguma forma criativa a cidade, inaugurando o que James Houston chamou de evangelização cósmica. 

Líderes que ao invés de fomentarem o surgimento da comunidade do Reino, importaram modelos de agrupamento que aumentam a produtividade da igreja na promoção do crescimento numérico, que passou a ser aval de benção divina; ao invés de pregarem e praticarem a vitória de Cristo na cruz e na ressurreição sobre todos os agentes do mal, passaram, de um lado, a pregar uma teologia que mais infundia medo do que fé, e, de outro lado, a, segundo, o articulista Ricardo Machado, umbandizarem as igrejas.


É claro que tivemos problemas éticos em outros segmentos de igreja, sim, porque Igreja Brasileira é uma categoria ideológica evocada nas generalizações; o que existe, de fato, é uma gama de Igrejas no Brasil, não estou falando das divisões denominacionais, que, aliás estão desfiguradas, mas, dos vários jeitos de ser igreja, que acabam, por se constituir em segmentos estanques entre si. 

Houve segmento que, diante dessa realidade cruel recrudesceu o fundamentalismo legalista e alienado, outro houve que assumiu a igreja como uma empresa, sonhando também com impérios, e passou a importar modelos de gerenciamento que a organizasse, desenvolvesse excelência ministerial, e produzisse crescimento, usando, muitas vezes, o princípio do “apartheid”; e as ovelhas foram feitas mão de obra e os pastores foram feitos gerentes de programa. 

Graças a Deus, porém, não precisamos entrar em desespero, pois, a crise na fé cristã não é o pecar é o não se arrepender. E há sinais de arrependimento. Pois há o outro lado: Jesus Cristo não diz apenas: “vós não sabeis de que espírito sois”, diz, também: “vinde benditos de meu pai”. 

Nos vários segmentos da igreja, a resposta apareceu: pipocaram programas de ação social, creches, distribuição de cestas básicas, distribuição de alimentos para moradores de rua, entre outros. Os programas começaram assistencialistas, mas, pouco a pouco, foram se tornando mais voltados para soluções estruturais. 

Milhares de ONGs foram criadas com as mais diferentes finalidades de cunho social: escolas, casas-lar, programas de desenvolvimento comunitário, programas de alfabetização, e muito mais. Um leve mas decisivo movimento do Espírito tem se feito sentir cada vez mais, o interesse de grupos dos vários segmentos em se ajuntarem numa frente evangélica pela inclusão social. 

É crescente interesse dos jovens, pastores e leigos, no significado dessa resposta, na retomada da questão da espiritualidade, iniciada por parte do segmento da missão integral, nos fazendo revisitar a patrística, nos encorajando a repensar o fazer pelo fazer. São sinais que evidenciam esse movimento discreto mas firme do Espírito de toda a consolação, que nos está reconduzindo a coerência. 

É daqui que temos de continuar. Temos uma teologia para desenvolver, precisamos, sob essa nova ótica, repensar a teologia sistemática e a identidade protestante; temos uma espiritualidade para retomar, a espiritualidade do Cordeiro; temos uma igreja para edificar, de modo que, pelo menos nela, todas as raças e classes desapareçam dando lugar à única raça que Deus criou, a raça humana; e, com o fim das classes, todos sejam gente como gente tem de ser, à imagem de Jesus de Nazaré. 

Temos um país para influenciar, temos profecia a proferir. Precisamos refletir, a partir dessa compreensão teológica, sobre o labor político e partidário; sobre economia; sobre genética; sobre bioengenharia; sobre a globalização, sobre a chamada pós-modernidade, sobre a nova sexualidade, sobre a fermentação religiosa, sobre o desafio do Islã, sobre formas de fazer entendida a mensagem da cruz, num mundo em mutação; sobre a questão agrária e o meio ambiente; sobre a urbanização na América Latina; sobre a relação da igreja com o estado. 

Temos de retomar o movimento de missão transcultural,dentro e fora de nossas fronteiras.

Temos de nos encontrar mais, trabalhar mais juntos, abrir o círculo para que novos não só sejam atraídos, como já o estão sendo, mas, para que se sintam bem vindos e em casa. Temos um reino para viver e para manifestar. E não estamos sós: o Senhor Jesus está onde sempre esteve, reinando sobre sua Igreja e sobre todo o universo; e o Espírito Santo está aqui, pairando sobre o caos, soprando vida, levando a Igreja que está no Brasil a um avivamento que ainda não conheceu, o avivamento que chama à história o clamor de Jesus, retratado por Lucas: “Bem aventurados os pobres porque deles é o Reino de Deus."

sábado, 29 de janeiro de 2011

HOMENS DE DEUS - Por: Pr. Robson Alves

Em sua primeira epístola a Timóteo no capítulo 6 vs 11-14, Paulo nos ensina que um “homem de Deus” deve ser identificado por aquilo do que “foge” por aquilo que “segue”, por aquilo pelo qual “luta” e por aquilo ao qual é “fiel”. A Bíblia aponta de maneira clara  e imperativa a necessidade de que os “homens de Deus” tenham caráter íntegro e sejam de profunda piedade. Atentando para o que Paulo descreve também em sua epistola aos Tessalonicenses (2:1-12), observamos que “homens de Deus”, precisam de uma missão concedida pelo próprio Deus (v. 1-2), de uma genuína motivação (v. 3-6) e de maneiras gentis (como mãe ou pai para seu próprio povo).

Todavia, o que temos observado, é que muitas derrotas têm abatido “homens de Deus”, porque os mesmos não têm mais fome por santidade. Infelizmente alguns estão vivendo como atores, representam diante do povo o que não vivem em seus lares ou em suas vidas privadas. Usam máscara, vivem uma mentira, pregam sem poder, pretendendo ou apresentando ser nos púlpitos aquilo que não são na realidade. É impossível ser BOCA DE DEUS e carregar ao mesmo tempo um coração entupido ou carcomido por impurezas (Jr 15:19), é impossível lidar de forma elevada e santa com as coisas espirituais e lidar de forma má e impura com as coisas terrenas.

A vida de um “homem de Deus” ao invés de repelir por seu paradoxo pragmático, precisa estabelecer uma ponte a fim de aproximar as pessoas, seu “modus vivendi” deveria encorajar as pessoas a saírem da transitoriedade, da passividade de concordar em discordar, a entregarem-se definitiva e exclusivamente a Cristo.

Infelizmente no Brasil e no mundo alguns “homens de Deus” têm caído em terríveis pecados provocando escândalos, produzindo grande sofrimento ao povo de Deus, e, afastando o evangelho do pecador. Catástrofes espirituais que vão de pastores adúlteros e mercenários à filósofos pragmáticos cujo importante não é mais  a verdade mas o que funciona, o que dá certo,  têm se tornado inaceitavelmente muito frequente.

“Homens de Deus” precisam lembrar-se de que a Palavra de Deus não pode ser mudada, atenuada ou torcida para agradar os ouvintes. Ela é imutável, e “homens de Deus” precisam pregá-la integralmente, completamente e fielmente. Nossas práticas cristãs devem ser fundamentadas na verdade, pragmatismo sem ortodoxia é misticismo, e, misticismo tem que ser rejeitado.

Um “homem de Deus” santo é uma poderosa arma nas mãos de Deus!

Pr. Robson Alves dos Santos

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A imagem do homem de Deus - Por: Abner Carneiro

No início do século XX o eminente sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) caracterizou o comportamento da sociedade ocidental moderna com o que chamou de "desencantamento do mundo". Segundo esta análise os homens agem motivados pela ação de valores e ação de fins. Na primeira o indivíduo orienta sua conduta racional para uma convicção ou valores adotados sem que isso implique, necessariamente, em ganho ou prestígio.
Na segunda o homem passa maior parte do tempo ocupado com atividades, cujos resultados esperados são os que justificam suas ações. Então o importante não são as ações em si, mas os objetivos que se esperam. Chamou de desencantamento do mundo porque a conduta motivada por finalidades acima das ações representa um caminho sem volta, sendo que a crise da sociedade moderna seria o resultado da renúncia da ação de valores.
Diante do exposto elabora-se o problema: Sendo esta uma análise sociológica e sendo os agrupamentos cristãos alvos de estudo da ciência social, pode-se perceber a ação de finalidade pressionando a ação de valores a ponto de hoje se visualizar sua maior crise? A começar pelo ministério pastoral nota-se o perigo iminente porque está cercado de uma sociedade cada vez mais secular (de século). No senso comum observa-se as pessoas mais simples renunciarem uma determinada causa humanitária; ainda que nobre, porque não envolve valor financeiro.
Infelizmente a análise teórica do sociólogo alemão parece atingir proporções imensas em nosso país. Já se vê com naturalidade igrejas e pastores almejando os resultados antes das ações. Criou-se o drástico problema da vulgarização das ações pressionadas pelos interesses. Obviamente, se fossem sempre as ações de valores que movessem líderes e cristãos, os interesses sempre seriam espirituais, piedosos e nobres. Por que não se vê mais homens como Lutero, Calvino, Samuel Rutherford, Martin Luther King, Abraham Kuyper, Francis Schaeffer, Simonton, José Manoel da Conceição (para citar alguns)? Sem dúvida, as respostas podem ser variadas.
A sociologia descarta aquele tipo de dominação carismática presente em grandes líderes dos séculos XVI até meados do século XX como transformadores da sociedade moderna e aposta em três fatores atuais que contribuem para a mudança social. Eles são: Descoberta, a Revolução Industrial, por exemplo; invenção: a divisão dos três poderes no Estado Moderno em Montesquieu, por exemplo; e a difusão: a Internet, por exemplo. Mas será preciso reconhecer que esses grandes líderes mencionados foram motivados por valores.
Suas convicções tinham base em princípios e, como era de se esperar, suas ações eram valorativas de causa. Afetos, objetivos e comportamento social visavam só a glória de Deus que, por sua vez, justificavam suas ações de forma plausível. Grande parte da crise no evangelicalismo brasileiro se explica pelos interesses de poder (político), status (financeiro) e marketing (concorrência).
O poder - com pólos densamente políticos, o status - com interesses exclusivamente materiais e o marketing - que tem se tornado a arte do "empurrômetro" do produto religioso fazendo o sagrado ter sentido pejorativo; representam as crias caçula da ação que visa interesses.
Os efeitos sobre ministérios voltados para a reflexão e pregação expositiva, por exemplo, tem sido catastróficos. A identificação com os ideais (geralmente teológicos) adotados por determinado grupo cristão costuma ter a profundidade da casca de um ovo. No mundo das ações de finalidade, quando se adere a um certo grupo, não se faz por motivação de valores, mas de interesses. Então a circulação livre de crentes pelos vários grupos evangélicos chegou no auge em nossos dias.
A equação é lastimavelmente simples: "Adiro a este grupo, mas o que ele  tem para me oferecer? Ou ainda: "O que vou ganhar com isso?"
Percebe-se ínfimo conhecimento dos postulados teológicos do grupo ao qual se adere porque não há preocupação com a "cor da bandeira", mas com o apadrinhar das necessidades. É neste rumo que redutos comunitários que exploram a "prosperidade já", "saúde física já" e "cura terapêutica já" representam um nicho promissor numa sociedade cansada e superficial.
Após estas constatações, nota-se que comportamentos generalizados com base na ética situacionista pressionam os ministérios pastorais. Não são poucos ministros que sucumbiram à regra (porque deixou de ser exceção, posto que generalizada), escondendo-se atrás da preservação da imagem.
Já que possuem uma imagem pastoral que precisa de manutenção, faz-se qualquer coisa para manter seu brilho. Há erro nisso? Não se vê erro em manter o brilho da imagem porque é a Palavra que nos recomenda. Mas a dura constatação é a de que não é a Palavra que tem norteado a imagem pastoral, mas os grupos de consumidores, embora toda generalização seja perigosa.
Ora, se ficou provado que de forma geral, o homem moderno valoriza o fim da ação, e não a ação propriamente, caindo no pragmatismo dos fins (efeitos esperados) que justificam as ações; é certo que muitos ministérios tem baixado ao nível do mero interesse e, se fazer a vontade dos consumidores significa atingir o interesse, então isso será chamado de preservação da imagem. A ótica da preservação ministerial não vem de Deus, mas dos indivíduos.
Conclui-se lançando um pensamento dialético. As regras para a contratação de obreiros no Brasil hoje têm sido pelos seus valores teológicos penosamente apreendidos e defendidos? Têm sido pela sua dominação carismática? Pela preservação e identificação da imagem biblicamente esperada do servo fiel? Pelo nome (status) adquirido, ou pela humildade e piedade cristã manifestada.

Abner Carneiro

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O NOVO CIRCO CHEGOU


Bom, os irmãos que me conhecem, sabem que não sou um apologista, nem tampouco tenho a pretensão de ser o dono da verdade, ou ainda, um “gosth busters”. Mas após ter recebido nesta manhã um vídeo onde um “reverendo” anunciava o “CIMENTO DA BENÇÃO” segundo ele o cimento especial da casa própria, do negócio próprio, a ser adquirido por uma “singela” oferta, decidi escrever umas poucas linhas...

Por acaso você já se deu conta que hoje parte dos evangélicos adoram uma atração extravagante? Já reparou que algumas comunidades evangélicas ficam lotadas de gente curiosa para ouvir pregadores e pregações no mínimo esquisitas?
Penso que a continuar assim logo ouviremos algumas "convocações solenes" do tipo (mais parecida com anuncio de atrações circenses):
- Venham ver a menor cantora do mundo!!
- Não deixem de assistir ao show do pregador anão!!
- Venham ouvir a menininha de 3 anos que já é pregadora!!
- Assistam ao mais novo pastor do mundo!
- Conheça o cantor fanho mais ungido do planeta!
- Venha assistir o cara que morreu com 10 facadas e ressuscitou.
- Ouça o testemunho da mulher que foi esposa de satanás, etc.
Irmãos em Cristo; Vamos combinar! A igreja de Jesus não é um circo! Chega de ouvirmos absurdos como os ensinados por falsos profetas que ao longo dos anos tem propagado doutrinas que se contrapõem em muito a ortodoxia cristã.
Confesso que estou cansado disso. Não me interessa as elucubrações nem tampouco as viagens esquizofrênicas daqueles que mercantilizam a fé, a Palavra de Deus me basta!

Há alguns anos vi um cartaz que dizia: “venham assistir a mais nova pregadora do Brasil”. Ora, o convite não se fundamentava na qualidade do pregador nem tampouco na sua homilia, ou capacidade teológica de expor a fé, mas sim no inusitado, no esdrúxulo, no aberrativo. Para piorar a situação, o tempo em que as igrejas deveriam destinar à pregação da Palavra tem sido gasto com testemunhos manipuladores e interesseiros de pessoas que se sentiram agraciadas pelo “gênio da lâmpada mágica” recebendo carros, casas e dinheiro.

Deus! Falta-me palavras para retratar minha indignação! O que fizeram do cristianismo? Que evangelho louco é esse? Ora, este não é, não foi e nunca será o Evangelho do meu Senhor.
Diante do exposto acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos, até porque, somente assim, poderemos novamente sair deste momento preocupante e patológico da Igreja evangélica.

“Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria”
Pr. Robson Alves 
Secretario  Executivo da CBN- E/S